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Multimídia & Cinema: Persona – Quando duas mulheres pecam

em 11 de outubro de 2010

O seguinte texto traz as reflexões que eu fiz da obra prima do sueco Ingmar Bergam. O filme é de 1966 e é como o próprio Bergman disse, um verdadeiro poema visual. Confesso que Persona mexeu comigo de uma forma que cheguei a refletir sobre a minha vida e sobre alguns aspectos importantes dela no que diz respeito àquilo que sou e àquilo que quero ser e o também sobre àquilo que os outros pensam que sou. Foi muito, muito forte. Tive que assistir umas três vezes pra entender de forma concreta. A cada “assistida”, eu ia tendo uma concepção diferente da obra, até chegar na concepção final.

Quando duas mulheres pecam…

Num primeiro momento, ao ver Persona e sua intro psicodélica e surreal, me parece confusa, porque essa construção de signos desconexos começa a ser compreendida a partir do momento que passamos a analisar e interpretar o filme do contexto reflexivo, em seus mínimos detalhes, com isso começamos a desvendar os signos e para o seu entedimento cria-se a necessidade de releitura da obra se a mesma não for apreciada com muita atenção.

A escolha de calar ou de falar feita respectivamente por Elisabeth Vogler e sua enfermeira nos leva a reflexão sobre nós mesmos, ocasionando uma identificação com as personagens, onde podemos destacar a crise que Elisabeth enfrentou, pois de uma hora para a outra ela resolve calar-se diante das convenções humanas, o que talvez para ela, caracterizasse uma verdadeira válvula de escape, uma fuga.

Assumimos diversas máscaras para a sociedade, pois para nós parece bastante conveniente e natural, agir de acordo com determinadas regras, lugares e dogmas sociais que a própria sociedade nos impõe.

A partir da compreensão da fantástica obra, passamos a nos questionar sobre o que realmente somos. Nossos egos tornam-se superegos, máscaras(personas) que usamos para nos defender e também a relação e a forma de como essas questões nos afetam.

Elisabeth Vogler, considerada com louca sem ao menos apresentar qualquer tipo de patologia clínica, é acometida por um surto emocional durante a apresentação do espetáculo teatral Elektra, que coincidentemente resolve também não falar mais. A atriz fica sob os cuidados da atenciosa enfermeira Alma que é completamente o oposto de sua paciente, pois fala muito, fala pelas duas juntas. A convivência faz com que elas fiquem amigas e Alma, afeiçoa-se tanto por Elisabeth, que resolve compartilhar diversas experiências de sua vida, inclusive as dolorosas. O que Alma não imaginava era que acabaria tornando-se um mero objeto de estudo para sua protegida. Este fato revela uma reviravolta na trama, pois antes a doente era Elisabeth, mas agora Alma começa a se incorporar de forma surpreendente o universo de sua protegida, com isso, as duas passam a se integrar de tal forma que os papeis se invertem e as personalidades se fundem, dando a ideia de se tratar de uma pessoa apenas. E neste momento crucial, nesta simbiose que passamos a observar que diferentemente de como pensávamos, Elisabeth não é a protagonista, mas sim as duas compõem o núcleo de protagonistas.

Bergman mostrou, quebrou paradigmas pela forma inovadora de desenvolver a trama das máscaras para a década de 60 e nos permitiu repensar a nossa forma de ver o cinema não somente como a arte em si, mas também como um instrumento de profunda reflexão, de abrir nossos pensamentos e é onde entra a explicação da escolha das imagens do início do filme, agora vê-se o sentido para a imagem da mão sendo furada, fazendo relação com a crucificação de Jesus Cristo, a ovelha morta e o órgão sexual.

Diante da grandeza desta obra, deste verdadeiro poema visual segundo o próprio cineasta, ficamos com a seguinte conclusão de que a vida é feita de personas, ou seja, as máscaras e que não tomamos o devido cuidado ao confiar em pessoas, em nossas costas, não apresentam sua face verdadeira frente a sua essência e nos deixamos levar, o que acaba colaborando para nossas decepções. É importante ressaltar que quando expomos demais a nossa ALMA nos entregamos às ilusões do mundo, nos tornamos pessoas ocas de sentimentos, infelizes e irrealizados. De certa forma, em alguns aspectos, a humanidade não possui justificação o que nos caracteriza como seres absurdamente falhos e isso muitas vezes nos faz tomar a mesma atitude que Elisabeth teve, escolheu o silêncio como forma de proteção de si mesma para com o mundo.

LINK PARA DOWNLOAD

PARTE 1

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PARTE 2

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2 respostas para “Multimídia & Cinema: Persona – Quando duas mulheres pecam

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