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Multimídia & a Trilogia Tebana: Análise da obra Édipo Rei de Sófocles

em 5 de novembro de 2010

Oie! Estou curtindo muito estudar a literatura grega e está sendo muito bom revisar obras fantásticas como a Trilogia Tebana, em especial o Édipo Rei que li por volta da 6ª ou 7ª séries do Ens. Fundamental. Irei explicitar pontos referentes à política, construção do carácter do homem e da figura do Anaké, o destino irremediável do contexto da tragédia grega.

 

A construção do caráter do homem grego evidenciada na Trilogia Tebana, com ênfase ao módulo primeiro, Édipo Rei; concepção dada a partir do momento que o homem grego se depara com a sua realidade mostrada em sua forma real, ou seja, no caso de Édipo Rei, se provoca uma identificação da obra com a vida “real” de cada pessoa, já que passa a se reconhecer de alguma forma dentro do contexto da trama, tal como se propôs a fazer a pesquisa Aristotélica que se valeu da análise comportamental dos expectadores após deixar as encenações trágicas, o chamado processo catártico. Este tomava conta das pessoas, que manifestavam sensações de alívio de culpas e curas de doenças, processo que caracterizava uma verdadeira purgação, limpeza no âmbito psico-emocional que até mesmo acabava se refletindo em um novo modo de ser cidadão, se confrontar com sua personalidade atual e uma nova que era atribuída a partir desta auto avaliação e sua consequente mudança como pessoa, assim como cidadão grego.

 

No contexto da história-tragédia, a figura do Ananké é algo de extrema relevância, pois ao tratar-se do destino que na realidade grega é algo que não se pode fugir e nem negar. Na tragédia referida, os dissabores, conflitos desventuras não poderiam ser evitadas, mesmo que o personagem Laio tentando fugir da maldição que lhe fora profetizada pelo oráculo, que acometeria primeiramente a ele mesmo e na sequência, viria seu único filho Édipo que o mataria e desposaria a própria mãe. Tentando escapar da ira dos deuses, Laio manda matar o bebê logo após o seu nascimento, porém, mais uma vez o destino se fez e Édipo sobreviveu após ser salvo por um pastor que entregou a criança a Políbio, rei de Corinto e este fora criado como filho legítimo, devido a infertilidade que o casal Políbio e Mérope possuíam.

 

Em uma certa ocasião, Édipo já adulto descobre sobre a maldição que lhe foi atribuída e para que não fosse cumprida, foge de Corinto em rumo à Tebas, sem saber que mais uma vez o destino seria implacável consigo e que era lá que seus pais biológicos o esperavam.

 

No decorrer da viagem, Édipo se depara com um bando de mercadores e não imaginando que estava diante de seu pai Laio e acaba o matando junto com todos os outros homens que estavam em sua companhia.

 

Chegando à Tebas, Édipo depara-se com um ser mitológico horrendo, uma besta chamada esfinge que por muito tempo estava na cidade aterrorizando a população e proferia enigmas para que as pessoas advinhassem sob pena de morte se caso errassem o desafio, muitos já haviam morrido na tentativa, pois aquela figura prometia recompensas valiosas pela respostas de seus questionamentos que seriam sua provável desmoralização, quem o fizesse seria proclamado rei e seria premiado com a mão da recém-viúva Jocasta. E foi assim que o corajoso Édipo fez, o enigma trata-se das fases do ser humano, engatinhar, caminhar e envelhecer, esta resposta heroica livrou a cidade da esfinge, foi proclamado rei e recebeu a mão de sua própria mãe, caracterizando uma relação incestuosa, fazendo se cumprir o que o destino lhe reservava.

 

Anos se passaram e Édipo reinava como um verdadeiro soberano e teve vários filhos com Jocasta, sua mãe e a cidade começa a passar por uma fase muito ruim e o povo lhe pedia ajuda para superar os maus momentos. Então Rei Édipo vai se ao encontro do oráculo de Delfos para fazer a consulta, e este respondia pelo deus Apolo, que lhe informou sobre o culpado do povo tebano estar passando por aquela situação que se encontrava e o alertou sobre uma revolta dos deuses para com a cidade, pois estava entre a população o assassino do rei Laio e este indivíduo deveria ser extinto da sociedade tebana para poder voltar tudo ao estado normal. O destino mais uma vez pregava peças em Édipo, pois sem saber que o responsável era ele mesmo, proferiu uma tremenda maldição que por ironia, recai sobre ele. Sabendo disso, Jocasta suicida-se e Édipo se cega, perfurando os próprios olhos e exilando-se.

 

A luta pelo poder político no discurso da obra, indentificamos ao observar o conflito pelo poder político em Tebas, caracterizando a priori quando Laio tenta livrar-se do prórprio filho, uma criança que mais tarde poderia significar algum tipo de ameaça de tomar o seu lugar no reinado e desencaminhar os seus planos para com o seu governo. Já na observação feita entre Édipo e seu tio Creonte que substituiu Laio após a sua morte e depois teve que ser substituido pelo seu sobrinho após o embate que legitimou o reinado de Édipo. Nesta ocasião identificamos uma disputa atrelada com sentimentos de cobiça e inveja, envolvendo poder e política.

 

A carreira política de Édipo, como foi explicitado neste trabalho, iniciou-se de forma heroica com a derrota sobre o monstro mitológico e ao ser empossado como rei de tebas, por direito e mérito de sua coragem e bravura prometidos anteriormente pelo seu destino, e por esse motivo por muito tempo, seu reinado fora de aclamação popular e idolatria até pouco antes do desenrolar da crise que se instaurou durante a revolta dos deuses pelo fatídico caso de incesto, que jamais será perdoado diante dos preceitos das divindades gregas.


 


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