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Meu diário Multimídia

Crônica: Conversa de Paraense

em 21 de março de 2011

Sabe aqueles emails que tu recebes e acha muiiiito legal e fica com a maior vontade de mostrar pra todo mundo? Pois é,  com ssa crônica foi assim.  Ela fala da aventura de um paraense e mostra a sua forma peculiar de falar, evidenciando também a nossa variedade linguística que veio de índios, cacboclos e colonizadores nordestinos.

P:S: O seguinte post será grande, então nada de preguiça! rsrsrs

Já li por aí que nossa identidade linguístuca é como se fosse caracterizado como amazófono-lusitano, ou seja, falamos como portugueses, mas com as características do norte, porém, mas precisamente em Belém, isso é muito mais acentuado, mais comum de se ver.

Aproveito pra evidenciar que não existe um modo certo de falar e também não existe um sotaque mais bonito ou mais feio que o outro, mas sim cada sotaque deve ser respeitado como identidade, característica de cada região. A beleza está nessa diversidade de falares, cada um com seu jeitinho, sua marca. Aproveito pra deixar meu repúdio contra o preconceito linguístico.

Vou contar uma breve experiência vivida em fevereiro durante o I ELAEL – Encontro Latino Americano de Estudantes de Letras, realizado na Universidade de Brasília.

Havia uma grande concentração de estudantes e de delegações de todo Brasil que chegavam a todo momento. Minha delegação entrou no centro comunitário para fazer o credenciamento. Éramos mais ou menos 20, e em nosso grupo havia gente de todos os tipos e aparências: negros, brancos e pessoas com traços indígenas, afinal, a região norte é suuuper diversificada em termos de traços físicos. Pois bem, fizemos nossa fila e nos dirigimos até a mesa de credenciamento, estavam todos animados e conversando. Em um determinado momento, um moço, com sotaque nordestino disse isso: ” Vixi, a ralé chegou, não bastasse ter gente de todo tipo, negro, índio, caboclo e transparente, ainda falam feio pra caramba”. Ficamos estarrecidos com o fato, mas deixamos pra lá, pois o foco do evento era justamente a integração da América Latina e não seria essa bobagem o que iria nos desviar da proposta, logo no início do encontro.

A essas pessoas que pensam que falam mais bonito, ou mais correto de que os outros, me desculpem, mas considero como ignorantes no sentido de burrice mesmo. Na fala se pode tudo, quem mostra que é superior, deve mostrar isso na escrita como fala o linguísta Marcos Bagno.

Bagno afirma que “A mídia poderia ser um elemento precioso no combate ao preconceito linguístico. Infelizmente, ela é hoje o pior propagador deste preconceito. Enquanto os estudiosos, os cientistas da linguagem, alguns educadores e até os responsáveis pelas políticas oficiais de ensino já assumiram posturas muito mais democráticas e avançadas em relação ao que se entende por língua e por ensino de língua, a mídia reproduz um discurso extremamente conservador, antiquado e preconceituoso sobre a linguagem”.

Programas de rádio e televisão, sites da internet, colunas de jornal e outros meios de multimídia estão cheios de “absurdos” teóricos e “distorções”, pois são feitos por pessoas sem formação científica sobre o assunto. Divulgam “bobagens” sobre a língua e discriminam os estudiosos da linguagem. Isso atrapalha a desmistificação do “certo e errado” e acaba propagando o preconceito, mas aí configura nossa responsabilidade de combater manifestações desse tipo. 😀

Para você amigo do Sul, Sudeste ou Centro- Oeste pode ficar despreocupado, pois colocarei o sentido do texto no fim do post. Espero que se divirtam!!

Conversa de paraense

“Um dia eu tava buiado, pensei em ir lá em baixo comprar uns tamatá.

Tava numa murrinha, mas criei coragem, peguei o sacrabala e fui.
Chequei tarde, só tinha peixe dispré.
O maninho que estava vendendo tinha uma teba duma orelha do tamanho dum bonde.
O gala-seca espirrou em cima do tamatá do aru que tinha acabado de comprá.
Ficou tudo cheio de bustela…Axiiiiiii, porcaria! Não é potoca, não.
O dono do tamatá muquiou o orelha-de-nós-todos, mas malinou mesmo.
Saí dali e fui comer uma unha. Escolhi uma porruda!
Égua, quase levei o farelo depois. Me deu um piriri…
Também… parece leso, comprar unha no veropa.
Comprei uns mixilhão, um cupu e um pirarucu, muito fiiiiiirme, mas pitiú paca.
Fui pra parada esperar o busão. Lá tinha duas pipira varejeira fazendo graça.
Eu pensei logo …ÊEEEE, ela já quer… Mas, veio um Paar-Ceasa sequinho e elas entraram…
Fiquei na roça, levei o farelo. O sacrabala veio cheio e ainda caiu um toró.
Égua-muleki-tédoidé, pense num bonde lotado.
Eu disse: éguaaaaaaaa, vô mimbora logo.
No sacrabala lotado, com o vidro fechado por causa da chuva, começa aquele calor muito palha.
Uma velha estava quase despombalecendo.
Daí o velho que tava com ela gritava “arreda aí menino pra senhora sentá aí do teu lado”.
O menino falou: “Humm, hummmm… tá, cheiroso…!”.
Eu me abri!!!”

Agora vejam o que o texto quis dizer

“Um dia eu tinha bastante dinheiro e pensei em ir ao comércio comprar uns tamatás (peixe típico da região).

Estava com muita preguiça, mas criei coragem, peguei o ônibus da Sacramenta (bairro perigoso) e fui.

Cheguei tarde e só havia peixes de má qualidade. O homem que estava vendendo tinha uma orelha muito grande. O sem noção espirrou em cima do tamatá do cliente que havia acabado de comprar e no meu também.
Ficou tudo cheio de ranho. Nossa, que nojo! Não é mentira, não. O dono do tamatá encheu o orelhudo de porrada, mas judiou mesmo.

Saí dali e fui comer um salgado parecido com coxinha de frango, só que à base de caranguejo. Escolhi uma bem grande. Nossa quase morri depois. Deu-me um mal-estar. Também… pareço maluco, comprar um salgado à base de caranguejo num local estranho no Ver-o-peso. Comprei uns mexilhões, um cupuaçu( fruto regional), e um pirarucu(peixe regional que lembra muito o bacalhau) muito bom, mas com cheiro forte. Fui à parada esperar o ônibus. Lá haviam duas moças de vida duvidosa fazendo gracejos. Eu pensando com meus botões…ÊEEE ela já me quer…Mas, veio um ônibus Paar-Ceasa vazio e elas entraram. Fiquei numa pior, morri.

O ônibus Sacramenta veio lotado e começou a cair uma chuva muito forte, nossa, cara, imagina a situação? Imagine um ônibus lotado. Eu disse, nossaaaa, vou embora agora, vai ser o jeito.

No Sacramenta lotado, com o vidro fechado por causa da chuva, começa aquele calor horrível. Uma velha estava quase passando mal. Daí o velho que estava com ela gritava: sai daí menino para a senhora sentar ao seu lado. O menino falou com ironia: humm tá bom seu folgado, eu levanto…”

Ri muiiiito disso!!”

Pra ilustrar, as imagens de unha de carangueijo, sacrabala(ônibus da linha Sacramenta-Nazaré) e do peixe Tamatá.

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Adaptei a tradução que  TIREI DAQUI

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