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Cobertura do 2º dia do I Seminário Regional da ALAIC – Bacia Amazônica no @midiacidada2011

em 19 de outubro de 2011

As rádios comunitárias configuram um novo modelo de democracia e cidadania no Brasil. Um fenômeno crescente, que veio para dar voz aqueles que, por muitas vezes são excluídos pelo poder público e que também representam um grande empecilho, atentando contra a democracia, à censura e até mesmo contra a liberdade de expressão, um dos mais importantes direitos dos seres humanos.

O segundo dia do I Seminário Regional da ALAIC – Bacia Amazônica, que foi realizado no Centro de Eventos Benedito Nunes (UFPA), iniciou-se com o Colóquio de Rádios Comunitárias. Contou com a presença de professores de diversas universidades, inclusive da Colômbia e Equador, teve também a presença de lideranças e autoridades envolvidas com Rádios Comunitárias internacionais, João Paulo Malerba, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O convidado Angelo Madson, paraense, militante, ativista e representante de veículo de radio difusão livre, contou um pouco de sua experiência, sobre as perseguições, processos que sofreu. Ele fez questão de enfatizar que o coronelismo eletrônico presente principalmente na região amazônica, dificulta todo o processo de inserção da comunidade, pois além de limitar a participação da população, mantém um monopólio da comunicação, onde grandes veículos ficam com a maior parte dos canais, promovendo o chamado oligopólio da comunicação, ou seja, os veículos poderosos querem sempre ter exclusividade, não dando espaço e nem voz ao movimento da radio difusão libertária. Angelo defende a desobediência civil como uma forma de se comunicar com a comunidade, já que as exigências das teles e órgãos regulamentadores são absurdas e extremamente burocráticas, o que o mesmo considera que o viés social da rádio comunitária deve ser respeitado e resguardado, uma forma de protestar contra o que é imposto, e que ele não considera como ilegal.

“É importante deixar claro que o termo Rádio Comunitária não existe apenas uma forma de definição, mas uma das definições mais aceitas são a facilitação do acesso a democracia através das ondas sonoras e que, principalmente produzem informação e cidadania a nível local, priorizando elementos como, ética, diálogo entre a sociedade, política, gestão pública integral e governo. Um verdadeiro desafio a ser cumprido”, finalizou o professor João Paulo Malerba.

A nível regional, as rádios comunitárias atuam como verdadeiras protagonistas de ação social, não visam lucros ou qualquer outro tipo de beneficiamento além de caracterizarem-se como meios de comunicação e informação popular, produzido, vivenciado dentro da sua realidade, sem máscaras ou manipulações. Na opinião da professora Rosane Staibrenner, os objetivos principais da iniciativa são promover informação limpa e valorizar a comunidade.

Contando com aproximadamente 300 emissoras de radio difusão livre, a Amazônia se mostra com grande potencial, mas com um dilema entre a qualidade da produção e a responsabilidades dos idealizadores e administradores dos veículos locais, devido a falta de estrutura, difícil acesso, muitos dessas rádios são os únicos meios de comunicação em diversas cidades do interior.

José Miguel Gonzalez, da Pontifícia Universidad Javeriana, na Colômbia, classifica que as rádios comunitárias, não devem ser confundidas com a pirataria, pois além de romper barreiras da comunicação e cidadania e seu forte papel social de dar voz ao povo. Esse processo de mediatização da periferia é um dos elementos chaves para o modelo de desenvolvimento social, que age de dentro para fora.

Há a preocupação com a necessidade de se promover capacitações éticas, política e responsabilidade com os gestores e demais envolvidos com rádios comunitárias. Estar diante de veículos desse porte requer preparação, equilíbrio e principalmente noção de responsabilidade, pois assim como outro veículo de comunicação, os trabalhadores e funcionários além de comunicadores, são formadores de opinião e a eles deve-se todo um trabalho de preparação diferenciada.


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