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Cobertura do 2º dia do I Seminário Regional da ALAIC – Bacia Amazônica no @midiacidada2011

As rádios comunitárias configuram um novo modelo de democracia e cidadania no Brasil. Um fenômeno crescente, que veio para dar voz aqueles que, por muitas vezes são excluídos pelo poder público e que também representam um grande empecilho, atentando contra a democracia, à censura e até mesmo contra a liberdade de expressão, um dos mais importantes direitos dos seres humanos.

O segundo dia do I Seminário Regional da ALAIC – Bacia Amazônica, que foi realizado no Centro de Eventos Benedito Nunes (UFPA), iniciou-se com o Colóquio de Rádios Comunitárias. Contou com a presença de professores de diversas universidades, inclusive da Colômbia e Equador, teve também a presença de lideranças e autoridades envolvidas com Rádios Comunitárias internacionais, João Paulo Malerba, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O convidado Angelo Madson, paraense, militante, ativista e representante de veículo de radio difusão livre, contou um pouco de sua experiência, sobre as perseguições, processos que sofreu. Ele fez questão de enfatizar que o coronelismo eletrônico presente principalmente na região amazônica, dificulta todo o processo de inserção da comunidade, pois além de limitar a participação da população, mantém um monopólio da comunicação, onde grandes veículos ficam com a maior parte dos canais, promovendo o chamado oligopólio da comunicação, ou seja, os veículos poderosos querem sempre ter exclusividade, não dando espaço e nem voz ao movimento da radio difusão libertária. Angelo defende a desobediência civil como uma forma de se comunicar com a comunidade, já que as exigências das teles e órgãos regulamentadores são absurdas e extremamente burocráticas, o que o mesmo considera que o viés social da rádio comunitária deve ser respeitado e resguardado, uma forma de protestar contra o que é imposto, e que ele não considera como ilegal.

“É importante deixar claro que o termo Rádio Comunitária não existe apenas uma forma de definição, mas uma das definições mais aceitas são a facilitação do acesso a democracia através das ondas sonoras e que, principalmente produzem informação e cidadania a nível local, priorizando elementos como, ética, diálogo entre a sociedade, política, gestão pública integral e governo. Um verdadeiro desafio a ser cumprido”, finalizou o professor João Paulo Malerba.

A nível regional, as rádios comunitárias atuam como verdadeiras protagonistas de ação social, não visam lucros ou qualquer outro tipo de beneficiamento além de caracterizarem-se como meios de comunicação e informação popular, produzido, vivenciado dentro da sua realidade, sem máscaras ou manipulações. Na opinião da professora Rosane Staibrenner, os objetivos principais da iniciativa são promover informação limpa e valorizar a comunidade.

Contando com aproximadamente 300 emissoras de radio difusão livre, a Amazônia se mostra com grande potencial, mas com um dilema entre a qualidade da produção e a responsabilidades dos idealizadores e administradores dos veículos locais, devido a falta de estrutura, difícil acesso, muitos dessas rádios são os únicos meios de comunicação em diversas cidades do interior.

José Miguel Gonzalez, da Pontifícia Universidad Javeriana, na Colômbia, classifica que as rádios comunitárias, não devem ser confundidas com a pirataria, pois além de romper barreiras da comunicação e cidadania e seu forte papel social de dar voz ao povo. Esse processo de mediatização da periferia é um dos elementos chaves para o modelo de desenvolvimento social, que age de dentro para fora.

Há a preocupação com a necessidade de se promover capacitações éticas, política e responsabilidade com os gestores e demais envolvidos com rádios comunitárias. Estar diante de veículos desse porte requer preparação, equilíbrio e principalmente noção de responsabilidade, pois assim como outro veículo de comunicação, os trabalhadores e funcionários além de comunicadores, são formadores de opinião e a eles deve-se todo um trabalho de preparação diferenciada.

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#resenha Considerações sobre o novo CD da banda @dopestarsinc – “Ultrawired”

“Surpreendente, empolgante”. Esses foram os adjetivos que imediatamente se passaram por minha cabeça quando “Better not to joke” começou a rolar nos meus fones de ouvidos.

Por acaso entrei no TPB e encontrei lá um disco novo da banda italiana Dope Stars Inc.

Baixar gratuitamente? Sim!

O Ultrawired segue uma mistura de rock com música eletrônica, cyberpunk e diversos sintetizadores, com temáticas abordando filmes, videogames, pirataria e revolução.

Não é necessário falar que o DSI já vinha se espalhando no cenário ‘industrial’ (se é que industrial ainda existe) ou cyberpunk, gótico ou qualquer coisa assim (não aprecio rótulos).

Tendo sua fama com hits como “Make a Star”, “Infection 13” e “Beatcrusher” (esta que foi parte da trilha sonora de Jogos Mortais 4) não é de se surpreender (mas surpreendeu!) que o quarto álbum fosse ainda melhor.

Saindo de Better not to joke, a seqüência se dá com “Save the Clock Tower”, referente à trilogia ‘De volta para o Futuro’ que impulsiona com sintetizadores frenéticos muita energia, ainda mais daqueles que conheceram e vivenciaram essa aventura a 88MPH dos anos 80.

Com uma pitada de inconformismo chegamos a “Cracking the Power” que de uma forma dançante e alegre passa sua mensagem revolucionária.

“Banksters” é sem comentários, simplesmente por sua ‘pegada’ punk.

Então vem a famosa “Lies Irae”, uma das melhores (se é possível eleger dentre todas a melhor), composta de uma forma inusitada: em conjunto com os fãs, no piratepad, um editor estilo ‘Word’ porém para todos juntos editarem online, todos os participantes contribuíram com as letras dessa enérgica e muito bem composta música que mistura Giuseppe Verdi com muitos sintetizadores e uma pegada rock.

“Blackout” se destaca pelas linhas de baixo e vocais agressivos de Victor Love, há quem diga que é uma das melhores do álbum.

Amantes de vídeo-games: “Get Young” é diretamente feita para vocês. Com sintetizadores marcantes e melodias vocais, Get Young clama a todos os gamers a juventude de estarem sempre se sentindo bem com seus jogos.

“No life belongs to you” já nos trás aquele feeling existencial, característica de grandes álbuns clássicos em suas músicas mais introspectas, assim como a seguinte “Two dimensional world”.

“Run motherfucker run” com muita energia e pegada rock ‘n’ roll poderia agitar qualquer show com rodas de porradaria. Sem dúvidas.

Atenção piratas: “Pwning the Network” é um chamado para a busca de diversão nas redes e muita animação. Interessante comentar que Dope Stars Inc. interage com os fãs pela internet, pads, grupos de IRC, etc. Essa temática ‘pirata’ é bastante abordada pela banda, pois seguem a filosofia de produção independente e sustentável, na qual a pirataria através de lemas como “sharing is caring” é defendida. Não se defende fraudes ou roubos dentro desse ideal, mas o compartilhamento de cultura sem custos e a transparência política.

“We are the new ones” completa a movimentação revolucionária. Com uma pegada mais metal, não tem com não balançar a cabeça.

“Riding the UFO”, assim como No life belongs to you, já tem uma pegada mais calma, porém muito marcante, com muitos efeitos sonoros e um misticismo quase extraterreste.

Finalizando com “Thru the never”, que de alguma forma me remete a “Lucy forever” do King Diamond, não por sua melodia ou algo assim, mas por seu encerramento profundo, pela sensação deixada quando ouvimos o último “never” de Victor Love.

Assim construído o CLASSICO Ultrawired, além de ser inteiramente composto, gravado, editado e masterizado por Victor Love em um computador pessoal e nada mais, o álbum está sendo distribuído gratuitamente pela internet e o retorno disso é diretamente vindo dos fãs, assim compactuando com a nova tendência musical de não depender de grandes gravadoras e selos, dando liberdade para a produção musical sustentável.

Bastante interessante e muito bom de se ouvir.

Site Oficial: Dope Stars Inc.

Site dos Fãs Brasileiros: Dope Stars Inc. BrasilDope Stars Inc. Brasil

Minha nota? 10 ‘+1’, com absoluta certeza.

Por Márcio Tomazela no Wishplash

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